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sexta-feira, 2 de agosto de 2013


NAVEGUEI PARA O ÍNDICO, por Isabel Rosete
(Inspirado no meu Mestre Álvaro de Campos)

Já não tinha Alma! Só tinha Sentidos!
Naveguei para o Índico estendida no hemisfério Austral
De um excerto de poesia
Inscrito, anonimamente, num pedaço de rolha triangular
Boiante em tantos outros mares.

Roubei o Índico no des-norte do meu canto.
Apropriei-me dele como se fosse meu.

No Índico me deitei com a serenidade de um navegante livre
Sem saber para onde me levavam as ondas,
As correntes paralelas ou entre-cruzadas.

Já não tinha bússola! Já não tinha leme!
A agulha magnética acabara de se partir.
Deixei-me levar pelo natural rumo das águas.
O seu balanço fez-me adormecer no sono primeiro,
Livre das cordas dos mastros,
Livre do encurralamento dos porões;
Longe do ruído da casa das máquinas,
Longe dos gritos dos marinheiros, em euforia,
Quando há terra à vista.

Velas também já não tinha, a não ser as dos meus sentidos!
Cobriam-me o corpo, para que não ficasse queimado pelo Sol intenso.
Protegiam-me a pele do sal, para que continuasse macia.
Apelavam ao surgimento dos ventos de monções
- Companheiro desta minha longa viagem -
Esses sopros húmidos e instáveis do Céu quente
No coração da tarde que caía.

Encontrei o Índico e lá fiquei - qual oceano pacífico
Dos espíritos em rios de paz, de recifes e corais -,
Onde o riso ainda é riso, na combustão do petróleo,
Onde o canto ainda é virgem, na plataforma dos minérios,
Onde Deus me sopra aos ouvidos em odes de tranquilidade
Vindas do fundo dessas gotas de águas abençoadas.

Isabel Rosete, Ílhavo, 10/03/2012

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