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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Rainer Maria Rilke

Começo

Pousada no virgem canto dos pássaros,
Permaneço escrevendo, em todas as grafias,
Nas alturas das íngremes montanhas
(Nem sempre agrestes)
Da minha infância abandonada,
Pensando com a minha alma de criança
Nesse passado tão presente,
Parte responsável pelo que hoje sou.

São, agora, os pássaros da minha varanda
- Que me falam e me recordam das travessuras
De infante, no impulso da minha alegria interior -
Outrora visitantes do pátio da casa da minha mãe.
Sempre vão; sempre voltam
No seu eterno peregrinar sazonal.
A minha alma esvoaça na liberdade
Das suas asas extensas em pleno vôo.
Torna-se completa no seu corpo
Frágil e inseguro.
Canta o seu canto,
Consciente da efemeridade que a persegue;
Sorri nos risos que já não riem,
(mesmo que a solidão e a tristeza se imponham)
Consciente da sua pequenez
Face aos grandiosos mistérios do Mundo
Que não vê, mas escuta no pulsar primordial
De todo o acto de Criação que a eterniza.

Ah, tudo o que acontece, neste passado
Ou neste presente, é sempre um princípio,
Um começo!
E o princípio não terá em si o seu próprio princípio
No retorno, eterno ou não, do mesmo e do outro?

“Há tanta beleza em tudo o que começa!”


IR, Ílhavo, 4/01/2012





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