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terça-feira, 15 de junho de 2010

Em homenagem aos 122 anos do nascimento de Fernando Pessoa(s): lemas que têm guiado a minha vida e a minha escrita

Como forma de homenagem/celebração dos 122 anos do nascimento deste meu "muso", que sempre me acompanha e inspira, apresento alguns dos seus lemas/teses que em mim se presentificam, através da selecção das citações que se seguem, as quais têm pautado a minha escrita, o meu pensamento e a minha vida, que, a limite, são o mesmo.

Muito tenho reflectido sobre elas, numa tentativa constante de auto-aperfeiçoamento do meu ser e do meu estar, como individuo, como pessoa, como comunidade.
Fernando Pessoa(s), desde que o(s) conheci, em tenra idade, sempre esteve/estiveram, está/estão, em mim, na Metafísica ou fora dela, na nostalgia da infância, na dor de pensar, no fingimento ou no sonho... na Filosofia...
Espero que estas tenham, de um ou de outro modo, alguma serventia para todos vós, caros amigos, amantes, da poesia de pessoana.


Assim me "vejo" em Pessoa:

- Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?


- As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.


- Para viajar basta existir.


Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar.


- Tenho em mim todos os sonhos do mundo


- Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.


- Haja ou não deuses, deles somos servos.


- O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.


- Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. De aí a sua perfeita execução da obra de arte.


- A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta.


- Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida – umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.


- O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.


- Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.


- O verdadeiro sábio é aquele que assim se dispõe que os acontecimentos exteriores o alterem minimamente. Para isso precisa couraçar-se cercando-se de realidades mais próximas de si do que os fatos, e através das quais os fatos, alterados para de acordo com elas, lhe chegam.


- Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias.


- Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?


- Toda a poesia – e a canção são uma poesia ajudada – reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.


- Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo.


- A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar.


- Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer.


- O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.


- Precisar de dominar os outros é precisar dos outros. O chefe é um dependente.


- Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também.


- O poeta é um fingidor.


Finge tão completamente


Que chega a fingir que é dor


A dor que deveras sente (…)


- Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue.

Isabel Rosete
(Selecção)
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