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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011



Permaneço no silêncio fechado do Mar remoto,
Por onde se ergue a minha voz calada:

- Porque as Palavras já se esgotaram;

- Porque as Lágrimas já foram todas derramadas;

- Porque o Choro me trava a garganta;

- Porque a Vida já não me sorri;

- Porque a Morte já não me espera;

- Porque o efémero permanece

e o Eterno já não alcanço;

- Porque a Dor já não me deixa;

- Porque a Felicidade já não regressa;

- Porque o Destino já não me comanda;

- Porque o Espanto me fecha em mim;

- Porque as Águas já não me molham os pés

nem me consolam a alma;

- Porque o Sol já não brilha na sua mais pura claridade;

- Porque as Flores já não são coloridas;

- Porque Ares airosos já não flutuam em mim;

- Porque o Fogo já não me aquece;

- Porque a Tormenta me congela o cérebro;

- Porque o Mundo já não é mais redondo;

- Porque as Andorinhas já não voltam com a Primavera;

- Porque o Sonho já não se ergue

e as folhas, no Outono, teimam em cair secas e desfeitas;

- Porque o Silêncio já não desce do alto e Deus;

- Porque o Silêncio é imposto à minha voz calada

no suor e no sopro da Eternidade,

que clama o Infinito na purificação

da Unidade do Cosmos universal,

Que já não Ouço,

que já não Vejo,

que já não Sinto;

- Porque aqui estou no silêncio recolhido que me cobre

e já não me deixa boiar por entre as pedras roxas,

onde os Sons já não se propagam,

onde a Luz já não se acende,

onde a Carne já não vibra!

Isabel Rosete, Ílhavo, 2011

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