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segunda-feira, 3 de junho de 2013

MALES DO CORPO-ALMA, por Isabel Rosete



Estas minhas doenças vão-me matando aos poucos. Aprisionam-me na minha cama, neste meu quarto fechado, por onde só entra, ainda, a luz do Sol. Desde meados de Abril que me perseguem, sem dó, como a polícia persegue um criminoso, há muito procurado.
A minha alma está cada vez mais deprimida, cada vez mais definhada; o meu corpo cada vez mais debilitado, cada vez mais amortecido para se erguer. O tédio, a monotonia, a solidão, abafam-me.
Lá vou escrevendo, de quando em vez, quase sem força para os dedos se moverem no teclado do computador, entre os compassos de descanso, escasso, das tonturas e das náuseas, que me impedem de pensar com a agudeza habitual da minha mente, em quase desfalecimento. A falta de imunidade tudo leva e tudo traz, nomeadamente a impossibilidade de sair de casa e de cumprir os meus compromissos pessoais e profissionais, de trabalhar, de fazer o meu trabalho, de fazer a minha vida.
Aqui estou só e desamparada, sem família e sem amigos (estão todos mortos!), na minha grande solidão interior, em desmaios de ansiedade para voltar a ser como era, para voltar a ser quem era (agora sou, apenas, um quase invisível reflexo de mim). Foi-se o vigor, a alegria de viver, mesmo que ainda exista um indelével traço de esperança.
Sobrevivo numa imposta paciência morna, sem paciência alguma para aguentar este sofrimento insuportável. Corroem-se-me os ossos; nas minhas veias, o sangue corre num lentidão tão intermitente, que quase já não o sinto. Só sinto a dor, o mal-estar imenso de assim caminhar sentada, deitada, com os músculos anestesiados.
Estou em ruínas! Sou todas as ruínas!
Estou deserta! Estou no deserto de mim!
Desculpem este meu desabafo.
Isabel Rosete
03/05/2013
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