VideoBar

Este conteúdo ainda não se encontra disponível em ligações encriptadas.

domingo, 11 de agosto de 2013




DA POESIA, DO POETA E DA OBRA, por Isabel Rosete

«Sempre que um Poeta nos dá a conhecer a sua obra, é a Poesia e a sua poesia que se torna a protagonista no palco onde a ouvimos e se expõe. Afinal, a obra fica para além do seu autor e, neste sentido, ultrapassa-o, mesmo que ninguém a leia.
A obra clama pela eternidade que contrasta com a efemeridade física da pena que a lavrou no auge de um momento de glória, com o punho erguido pela seiva que a vivifica e torna animada, coisa viva, por entre o suor ou as lágrimas, nem sempre de alegria, nem sempre de dor.
É por esta via de protesto da luta do tempo com o Tempo, que se imortaliza o nome da mão e do pensamento que a ergueu, porque nela deixou o seu sangue, que é o seu espírito impregnado em cada palavra dita ou não dita, a sua identidade irredutível, nunca substituível por nenhum outro, mesmo que o Poeta não saiba o que sobre si mesmo dizem os seus versos.
O tempo do Poeta, sempre o nosso tempo, é o da Sociedade em que está inserido, o da Cultura que a move ou desvirtua. O tempo do Poeta é o tempo recente e presente que não se perde na vertiginosa passagem dos séculos que lhe sucederam ou que lhe sucederão.
O tempo do Poeta é o hoje que, do outrora, se projecta num futuro a desenhar, uma vez que é à visão do seu quotidiano, igualmente o nosso, que vai buscar a inspiração facilitadora da conquista da atenção dos seus ouvintes, dos seus leitores, até mesmo dos seus seguidores, discípulos, presentes ou vindouros. Esta tese é simples de demonstrar: é a Poesia que fala em nós, e não nós que falamos por ela; é a Poesia que nos interpela, e não nós que a interpelamos.
A Poesia, como qualquer outra forma da Arte se dar, é, genuinamente, fruto da imaginação criadora e, portanto, possui uma autonomia própria que a torna independente do seu autor, sem jamais o esquecer, e dos seus leitores que, a limite, dela tomam posse no sentido físico, espiritual e emotivo do seu ser obra, destinada a todo o tipo de interpretações.»
Isabel Rosete
Enviar um comentário