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domingo, 26 de dezembro de 2010

NASCIMENTO E MORTE DE CRISTO: O ESPÍRITO DO NATAL

Por: Isabel Rosete

De um certo ponto de vista, o da universalidade, não há propriamente data determinada nem para o nascimento, nem para a morte de Cristo – essa extraordinária e iluminada figura que a História nos doou, quiçá por vontade de Deus –, para além daquelas que são assinaladas no calendário.

Não obstante estarmos em época de celebração cronológica do nascimento de Cristo e, por extensão, da Paz, da Solidariedade, da Luz, da Verdade, do Bem, do Amor, da Amizade, ou de outros valores que enaltecem a essência divina da Humanidade, não nos podemos esquecer que o Mundo continua a sofrer, a ser martirizado e crucificado como Cristo o foi, um dia.

Iludir a realidade presente e futura, pelo véu das comemorações tradicionais, não faz a Humanidade pensar, reflectir, sobre esse sofrimento, físico e psíquico, de que ela mesma é vitima, a partir das suas próprias mãos, manchadas, amiúde, pelo sangue jorrado dos corpos inocentes, pelas lágrimas das almas moribundas pela ausência da Esperança prometida.

Enquanto uns estão à mesa, na noite de ceia, a confraternizar com as suas famílias, em suposta paz e alegria, deliciando-se com o mais requintado dos manjares, trocando os mais caros e belos presentes, outros morrem de subnutrição, são vítimas de balas perdidas, da má fé, das guerras injustas, da violência gratuita, da inveja e da discriminação sem fundamento plausível.

Claro que este texto que escrevi a propósito de uma discussão com amigo meu sobre o filme de Gibson, “A Paixão de Cristo” é, naturalmente, provocatório, propositadamente provocatório, se nos centramos, apenas e redutoramente, no vulgar contexto natalício que estamos vivendo.

O objectivo é mesmo esse: abanar as consciências, incitar as mentes à mais profunda reflexão, fazer renascer o espírito crítico, por detrás de todas as máscaras ou de todos os discursos demagógicos sobre a bem feitoria.

O Sofrimento, a Maldade, a Violência, a Crueldade, a Fome, a Angústia… – constatações óbvias para quem as quer ver não acabam pelo simples facto do Natal estar a ser comemorado. Lamentavelmente, continuam, embora de um camuflado nos meandros do consumismo ilusório de uma certa felicidade rebuscada.

Recuso-me a ludibriar a realidade; recuso-me a compactuar com a hipocrisia dos homens, que só se lembram, aberta e publicamente, que há mendicantes, crianças e velhos moribundos e desamparados, povos em guerra e em degeneração total, quando o Natal é, oficialmente, festejado.

A memória dos Homens deve deixar de ser curta; a memória dos Homens não deve ser apenas testada assim como a sua humanidade, ou pseudo-humanidade quando o socialmente instituído é solenizado.

O Espírito do Natal jamais se deve restringir aos dias 24 e 25 de Dezembro. O Espírito do Natal deve estar presente em todas as criaturas, todos os dias, durante o ano inteiro, ad eternum.

Quiçá, todos já o pensaram e já o disseram. Porém, o Espírito do Natal não é posto em prática quotidianamente, todos o sabemos, a não ser em momentos de catástrofe e, mesmo assim, de um modo meramente imediato.

As luzes que, incandescentemente iluminam as ruas, não conseguem eliminar a miséria humana, pelo menos aos olhos daqueles que vêem sempre mais longe, para além das aparências, das convenções, dos preconceitos, ou do chamado politicamente correcto.

Isabel Rosete
26/12/2010
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