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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Processo da escrita



As ideias ocorrem, escorrem...

No caudal dos rios da Língua

Que as suporta e transmite;

Espalham-se, difundem-se

Num aberto continuado

No bloco de notas que sempre as acolhe;

Surgem num ápice eufórico!

Têm de ser ditas e registadas

Para que a serenidade volte

Ao meu pensamento desassossegado.

Escrevo-as sem que as precipite.


As palavras revelam-se, impõem-se

Sempre em cadeia ininterrupta

- como a água das fontes derramada sem cessar -

Sem que as des-oculte, nunca,

Na imediatez dos sentidos.


Escrevo!

Simplesmente escrevo

O que o meu pensamento me dita

Num ritmo vertiginoso, quase alucinatório,

Que as minhas mãos nem sempre acompanham.

Mãos instrumento dizer!


Assim digo o Mundo no seu ser e no seu estar,

Mutante e perene, num raio apaixonante,

Que o papel, antes vazio, reflecte e ilumina;

Assim caminho no balanço incerto das vogais

E das consoantes, que nunca me traem,

Que clareiam o meu dizer na transparência

Da Linguagem, a “Casa do Ser”.

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