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domingo, 4 de dezembro de 2011

"A via láctea cobre-me", por Isabel Rosete - Inédito


A via láctea cobre-me

Tal como os ramos secos pelo tempo

Daquela figueira ancestral

Dos pingos de mel arroxeados

Onde se guardam todas as minhas memórias

De estórias, de lendas, de dizeres encantados,

Arquivadas nos espaços longínquos

Da infância perdida por entre as bonecas de trapo

Agora emersas nas recordações que sempre voltam,

Nas recordações que sempre se deslocam

Mas, nem sempre se des-velam.


O canto das aves brancas acorda-me

do sonambulismo persistente

Á primeira luz da manhã,

Quais despertadores

Que a Natureza me doa todos os dias

Para que o milagre do Ser aconteça

Em todas as maravilhas da Criação

- tão generosa, tão doce, tão terna… -,

Em plena harmonia com todos

Os estados de Graça,

Grandiosos em cada fruto,

Em cada flor, em cada animal,

Que percorre o pastoreio em mais um dia

De luta pela sobrevivência.


Assim habitam a Natureza.

Com ela repartem e recolhem

As dádivas mais singelas

Em plena comunhão.


Não há contrários que não se unam.

E o desterro nunca chega,

Apesar do devir perpétuo de todos os elementos.


A pureza do sonho une-se com a pureza da realidade,

Poupando o eterno Mistério do Mundo.

Tudo se arrecada no mesmo lugar do eterno retorno

De cada caminho do campo,

Nas encruzilhadas onde nem todos se bifurcam.


Este amor pela Natureza desfaz os infinitos labirintos

Sem saída, onde já não repousa o Minotauro.

O princípio e o fim tocam-se na íntegra união

De todos os modos do Ser.

O Homem comove-se nesta fusão,

Celebrando e abrigando os hinos que se soltam

Por entre as montanhas:

- O canto dos pássaros;

O sussurro dos rios;

O balbuciar das árvores

E das flores frescas da Primavera renovada.


Dá-se a Paz no silêncio da Música celeste.

O divino e o humano recolhem-se

No mesmo tempo e no mesmo espaço.

A Terra e o Céu tornam-se um só.


Nasce a grande esfera concêntrica

Que ampara o Universo.

Afasta-se o Nada.

Presentifica-se o Ser

Na sua autenticidade iluminatória.

Ergue-se a Luz que ainda nos ilumina,

Antes do Sol se pôr mais uma vez.

Reluz o Mar azul e verde,

Que, ao longe, se funde com o horizonte

Em cores de fogo aceso.

Isabel Rosete - Inédito
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