sábado, 15 de maio de 2010

Amo o desassossego da paixão,

A vertigem abissal dos sentires
No turbilhão imparável dos desejos,
Que as almas inquieta
E os corpos des-espera.

Movem-se os corações
No eterno desalento do anseio,
Nunca saciado,
Sempre desperto,
Nunca realizado
Na plenitude dos sentires.

Isabel Rosete
A dança impele o meu corpo
Aos movimentos
Ainda, não des-velados,
Aos estados de alma
Ainda, ocultos,
Porque os manifesta,
Porque os torna vivos,
Numa des-coberta
Permanente
Do sentir e dos sentidos
Holisticamente conjugados.

A música embala,
Move e comove,
Numa dimensão universal
Que corpos e almas harmoniza,
Em plena comunhão
De um estar único.

Isabel Rosete

sexta-feira, 23 de abril de 2010

25 de Abril? Ainda? Sempre?

PENSAR ABRIL I


Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!

Viva o Zeca
Que nos fez acordar
De uma longa noite de trevas!

Viva a voz audaz de um povo,
Até então,
Calado,
Adormecido
Pelas vozes tirânicas
De um poder,
Sem dó!

Viva o 25 de Abril,
A consciência de um só grito,
Aberto,
Que nos iluminou o Futuro!

O Futuro?
Que Futuro?
O da politica demagógica?
O da falsa democracia?

O Futuro
Que já não se silencia?

O Futuro da expressão
De todas as cores?
Do rosa, do laranja,
Do vermelho, do verde
Ou do amarelo?

Viva o 25 de Abril,
O eco de pensamentos outros,
Do diálogo,
Ou da conversa fiada,
Da trama das ideologias
E da teoria da in-existência das ideologias!

Viva o 25 de Abril,
O amor e a paz,
Sempre adiadas,
Mesmo depois do ilusório apogeu
Da bem-dita guerra colonial,
Dos homens mutilados,
Dos corações de mulheres,
Despedaçados,
Das almas das crianças,
Órfãs,
Que assim nasceram
Á luz da promessa
De uma nova idade…

Isabel Rosete
PENSAR ABRIL II


Trinta e seis anos passados!
Restam-nos as memórias
Dos horrores da guerra
De uma sociedade que,
Em nome dos cravos vermelhos,
Um dia,
Ousou gritar:
Liberdade.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que fez cair
Um regime
Eternamente enraizado.

Liberdade:
Qual palavra de ordem
Que arrancou,
Com todas as armas,
A tirania aos pretensos opressores
De um poder adulterado.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito ocultado,
Pelo véu da falsa ordem,

Há muito camuflado,
Sob a tríade:
Deus,
Pátria
E Família.

Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito velado,
Nos meandros da paupérrima cultura
De um Povo,
Que convinha manter calado.

Calado?
Sim, calado!
Em nome da ausência
Do Espírito Crítico,
Das mentes despertas
E do pensar astuto.

Trinta e seis anos passados!
E aqui estamos nós,
Quiçá,
Em uníssono,
A comemorar,
Com milhares de cravos vermelhos,
O grande acontecimento da Liberdade.

Liberdade?
Qual Liberdade?

Isabel Rosete
PENSAR ABRIL III


Volvidos trinta e seis anos,
Já não somos os mesmos!
Somos quaisquer outros!

Peregrinamos
Pelos espaços vazios do Mundo,
Avistando-nos com outro rosto.

O rosto da política
Da integração europeia
E da vã inclusão comunitária;

O rosto
Da moeda única,
Da adaptação
Ou da massificação ideológica;

O rosto
Da desagregação
Cultural e apátrida,
Sem identidade;

O rosto,
Cuja voz,
Já não sabe mais cantar
O hino nacional;

O rosto,
Cujos traços e cores,
Já não são mais
Os da nossa bandeira!

Volvidos trinta e seis anos,
Já não somos os mesmos!

O que somos, então?

Um povo errante,
Ainda e sempre,
No resto da cauda da Mundo,
Que outrora conquistámos,
No preciso momento
Em que o perdemos?

Erguemos o Convento de Mafra,
Com o ouro vindo do Brasil.
Edificámos a Torre de Belém
E o Monumento das Descobertas,
À custa de longas e saudosas lágrimas
Dos que sempre partiram,
Dos que nunca chegaram!

Qual Velho do Restelo
Se ousa,
Ainda,
Erguer?

Qual Adamastor
Povoa,
Ainda,
Os nossos mares?

Quais ondas alterosas
Se aprumam,
Nesse mar imenso,
Por onde não velejamos jamais?

Isabel Rosete

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pensamentos Dispersos,
07/01/2010,
por Isabel Rosete

"Balance"! Balançar de cá para lá e de lá para cá, em qualquer sentido ou direcção, assumindo (ou não!) ou certo determinismo, tentando não cair (e se cair, levantar-se, erguido)! A corda-bamba do equilibrista...!

A harmonia na Vida é, quase sempre, tão frágil e tão segura!

Há uma vontade-de-poder que nos comanda, num certo equilíbrio com o Espírito do Mundo.

E gosta de se esconder! (o Cosmos). Lembro-me sempre do veredicto de Heraclito: o “Combate”, no sentido grego de "polemos" (das forças opostas nasce a Harmonia) é a mãe de todas as coisas, em perpétuo devir do mesmo e do outro!

Do caos se gera a ordem, e da ordem um outro e outro caos, uma outra e outra ordem... em estados de combustão permanentes e acelerados.

Destruição e construção! Assim o ditou o fogo de Prometeu!

Isabel Rosete

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"VOZES DO PENSAMENTO" - http://isabelrosetevozes.blogspot.com/ - UM BLOG SOBRE ESTE MEU PRIMEIRO LIVRO, A SOLO, PUBLICADO EM PORTUGAL


UMA OBRA PARA ESPÍRITO ESPÍRITO CRÍTICOS!

Textos de e sobre a o livro, fotografias das sessões apresentação, convites para as próximas sessões, entre outras informações necessárias de interesse particular e público.

Oiçam as minhas "VOZES", que também são as vossas!

Uma boa viagem por este Universo transparente da Alma humana!

Bem-hajam,

Isabel Rosete

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Primavera (s)
Cruzam-se os olhares,

Na paz perpétua

De um saudoso beijo.


Não há mais revolta.

Paira a serenidade,

A tranquilidade intranquila

De todos os desejos.

Tudo se move,

No seu ritmo certo,

Absolutamente certo.

O desfiladeiro,

Não apavora mais

Os olhares inquietos.


O mar,

Enrola-se na areia,

Ao som do canto das sereias.


Na paz dos Anjos,

Se acalentam as tempestades,

Fatigadas,

Do seu peregrinar.


Os segredos

Da vida e da morte,

Já não se ocultam mais.


Os corações despertos,

Estão aí,

Preparados para todos os re-começos.


Eleva-se,

A singela nudez

Dos corpos em comunhão,

A pura leveza

Dos olhares,

Que já não são pálidos,


O riso das crianças,

De olhos claros,

Que a alegria espalham

Por todos os lugares.


A Paz

Torna-se visível,

Perceptível,

Até para os vistos míopes.


O Amor permanece,

No seu devido lugar,

Mesmo que incerto.


A Felicidade regressa,

A todas as almas,

Outrora despedaçadas.


Cantamos,

Sem dor,

Todas as dores.

E o sofrimento torna-se leve.


Isabel Rosete