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terça-feira, 5 de junho de 2012



Processo da escrita, IR


As ideias ocorrem, escorrem
No caudal dos rios da Língua
Que as suporta e transmite;
Espalham-se, difundem-se
Num aberto continuado
No bloco de notas que sempre as espera
                                                   [e acolhe;
Surgem num ápice eufórico.
Têm de ser ditas e registadas
Para que a serenidade volte
Ao meu pensamento desassossegado.
Escrevo-as sem que as precipite.

As palavras revelam-se, impõem-se,
Sempre em cadeia ininterrupta
- Como a água das fontes derramada sem cessar -
Sem que as des-oculte, nunca,
Na imediatez da percepção dos sentidos.

Escrevo. Simplesmente escrevo
O que o meu pensamento me dita
Num ritmo vertiginoso, quase alucinatório,
Que as minhas mãos nem sempre acompanham.

Mãos, instrumentos do Pensar e do Dizer!

Assim digo o Mundo no seu ser e no seu estar
Mutante e perene - num raio apaixonante -
Que o papel, antes vazio, reflecte e ilumina
Após o seu preenchimento total, nunca ingénuo;
Assim caminho no balanço incerto dos substantivos
Dos adjetcivos, dos pronomes... que nunca me traem,
Que clareiam o meu dizer na transparência
Da Linguagem, a “Casa do Ser”.

IR, Ílhavo, s. d.
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