Quero viver todas as vidas
Todas as realidades
Todas as existências…
Todos os Povos
Todas as Nações
Todos os Estados…
Todas as personagens
Todas as máscaras
Todos os véus…
Quero o Mundo em mim
Os mares
Os oceanos…
As estrelas
Os planetas
As galáxias…
Quero abraçar o Todo
Os outros
Que estão e não estão dentro de mim…
O Infinito
O Indeterminado
O Indefinido…
O mistério
O enigma
A incógnita…
Quero todas as dúvidas
Todos os porquês
Todas as interrogações…
Todos os silêncios
Todas as pausas…
Todos os vazios do cheio das palavras
Todas as entrelinhas…
Todos os sons
Todos os olhares…
Todos os gostos
Todos os cheiros…
Quero a criação
O renascer
A renovação…
Todos os amores
Todas as paixões
Todas as sensações…
O real
O imaginário
O virtual…
Quero a essência das coisas
O desvendar do Ser
A ocultação do Nada…
A transcendência da alteridade
A pureza de cada alma
A sensibilidade de cada corpo…
Isabel Rosete
27/12/07
26/01/08
O meu pensamento dita e as minhas mãos escrevem-no na transparência de cada palavra, na lucidez minuciosa de cada sílaba, na singela pureza de cada vogal, na sinceridade de cada consoante. Isabel Rosete
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Apolo e Dionísos
Apolo toca a sua lira
Faz brotar o sonho
A ilusão
A medida ....
Faz brotar o sonho
A ilusão
A medida ....
A aparência
O brilho
A forma….
Dionísio solta a embriaguez
O delírio
O êxtase
O instinto...
A força selvagem
Das entranhas da Terra
Num único e majestoso canto
De celebração
Sem o comércio das palavras
Incapazes de dizer o indizível…
Resta o inefável
O enigma
O mistério...
Num único e majestoso canto
De celebração
Sem o comércio das palavras
Incapazes de dizer o indizível…
Resta o inefável
O enigma
O mistério...
O ante-cantar
Que as almas
Dignifica…
Isabel Rosete
31/o5/ 07
(7h.20m)
25/01/08
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Contradições...
Só quero dormir
Descansar os olhos
Da vasta podridão do Mundo…
Paira o horror
O terror
O egoísmo
O egocentrismo…
O tédio
O enfado
De uma existência animal
Libidinal
Instintiva
Desmesuradamente competitiva
De animais castradores…
Quem vence não é o melhor
Mas o que parece mais apto
Para aquela função
Forjada por compadrio…
É a hipocrisia camuflada
Dita todas as regras
As do Ser e as do Não-Ser
As do parecer-ser
As do cheio e as do vazio…
E, ainda, falam de Ética…!
Mas que Ética
Se não estão mais presentes
No cerne da nossa existência
Individual e colectiva
Os deveres para com o outro
E os deveres para consigo mesmo?
O falso
Permanece
Nas relações humanas
Repletas
De vãs e ilusórias aparências
Aí plantadas
No domínio do sensorial
No domínio do meramente perceptível…
De olhos míopes
Somos incapazes de ver
Para além do visível…
De ouvidos moucos
Inábeis nos tornamos
Para escutar os ultra-sons…
Com paladares invertidos
Inaptos estamos
Para saborear
O amargo e o doce
Como instantes existenciais
Simultâneos
De um mesmo ser…
De olhos e orelhas cerradas
Vagueamos
Tacteando…
Procuramos todos os lugares
Nada nos satisfaz…
Nada fixamos como seguro
A instabilidade corrói-nos…
Mesmo assim
Ainda somos capazes de rir
Embora já não saibamos mais
O que é um sorriso…
Caminhamos entre as multidões
Desordenados e atónitos
Completamente perdidos
De nós
Dos outros
Do Mundo…
Somos nós e todos os outros
Mas não somos Nada
Nem ninguém...
Permanecemos no glaciar da incógnita…
Isabel Rosete
09/05/2007
5h 50m
23/01/08
Só Quero Dormir
Só quero dormir
Descansar os olhos
Da vasta podridão do Mundo…
Paira o horror
O terror
O egoísmo
O egocentrismo…
O tédio
O enfado
De uma existência animal
Libidinal
Instintiva
Desmesuradamente competitiva
De animais castradores…
Quem vence não é o melhor
Mas o que parece mais apto
Para aquela função
Forjada por compadrio…
É a hipocrisia camuflada
Dita todas as regras
As do Ser e as do Não-Ser
As do parecer-ser
As do cheio e as do vazio…
E, ainda, falam de Ética…!
Mas que Ética
Se não estão mais presentes
No cerne da nossa existência
Individual e colectiva
Os deveres para com o outro
E os deveres para consigo mesmo?
O falso
Permanece
Nas relações humanas
Repletas
De vãs e ilusórias aparências
Aí plantadas
No domínio do sensorial
No domínio do meramente perceptível…
De olhos míopes
Somos incapazes de ver
Para além do visível…
De ouvidos moucos
Inábeis nos tornamos
Para escutar os ultra-sons…
Com paladares invertidos
Inaptos estamos
Para saborear
O amargo e o doce
Como instantes existenciais
Simultâneos
De um mesmo ser…
De olhos e orelhas cerradas
Vagueamos
Tacteando…
Procuramos todos os lugares
Nada nos satisfaz…
Nada fixamos como seguro
A instabilidade corrói-nos…
Mesmo assim
Ainda somos capazes de rir
Embora já não saibamos mais
O que é um sorriso…
Caminhamos entre as multidões
Desordenados e atónitos
Completamente perdidos
De nós
Dos outros
Do Mundo…
Somos nós e todos os outros
Mas não somos Nada
Nem ninguém...
Permanecemos no glaciar da incógnita…
Isabel Rosete
09/05/2007
5h 50m
23/01/08
23/01/08
Odeio a Hipocrisia...
Odeio
O Mundo na sua prepotência
Os estados totalitários
Tirânicos
Opressores dos oprimidos…
A má fé
Os sorrisos abertos
Dissimulados
Que aniquilam os outros…
As gentes
Que não sabem distinguir
A realidade da aparência
A sombra do arquétipo
A cópia do modelo…
As mentes transviadas
Eternamente extraviadas
Em pleno caos intelectual
Em permanente desvario
Mergulhadas em espaços quadrados
Onde as ideias
Permanecem inflexíveis…
Odeio
As pretensas acções morais
De todos os Narcisos
Que não sabem ser Eco…
A Humanidade
Pela ausência de solidariedade
Para com as causas mais nobres
Mas menos visíveis…
A propaganda enganosa
Que fez da caridade
Um verdadeiro momento de glória…
Odeio…
Odeio…
Odeio tanta coisa…
Neste Mundo que age
Inconscientemente
Em nome de vã glória…
Isabel Rosete
9/06/2007
5.50h
08/01/08
O Mundo na sua prepotência
Os estados totalitários
Tirânicos
Opressores dos oprimidos…
A má fé
Os sorrisos abertos
Dissimulados
Que aniquilam os outros…
As gentes
Que não sabem distinguir
A realidade da aparência
A sombra do arquétipo
A cópia do modelo…
As mentes transviadas
Eternamente extraviadas
Em pleno caos intelectual
Em permanente desvario
Mergulhadas em espaços quadrados
Onde as ideias
Permanecem inflexíveis…
Odeio
As pretensas acções morais
De todos os Narcisos
Que não sabem ser Eco…
A Humanidade
Pela ausência de solidariedade
Para com as causas mais nobres
Mas menos visíveis…
A propaganda enganosa
Que fez da caridade
Um verdadeiro momento de glória…
Odeio…
Odeio…
Odeio tanta coisa…
Neste Mundo que age
Inconscientemente
Em nome de vã glória…
Isabel Rosete
9/06/2007
5.50h
08/01/08
Uma Espécie de Sossego Musical
Olhos Azuis
Olhos azuis
Cintilam na brancura rosada
De uma face ainda imaculada
São pedras preciosas
Inscritas no alvor da pureza
De uma alma tão grande
Capaz de se dar ao esplendor do Universo
Nos seus finos lábios
Sempre se rasga um sorriso luminoso
Tão incandescente
Quanto a mais bela das estrelas
Deste céu que ainda nos cobre
Que doçura inspira nos que a olham
Na sua inocência de menina
Tão pura
Tão leve…
O mais ténue sopro
Pode arrastar
O seu espírito
Até às profundezas da Terra
Sabe amar como ninguém…
Esses lindos olhos azuis
Fazem transparecer
O amor verdadeiro
Em cada lento
E terno pestanejar
Azul do céu
Azul do mar
Azul da Lua…
Azul
Que reflecte
Um singelo ser
Transparente...
A infinitude do Ser
Do estar
Do amar
Que lhe é próprio
Azul dos espaços siderais
Azul do infinito
Do ilimitado
De todos os horizontes
Azul de todos os desejos
De todos os instintos
De todas as pulsões
Azul de todos os amores
Da esperança
Do olhar fixo e profundo
Que tudo olha e sempre vê.
Isabel Rosete
9/1/01
03/7/07
(Escrito para a Diana)
domingo, 17 de junho de 2007
Pensar Abril, 1ª versão

I
Viva o 25 de Abril.
Viva Liberdade.
Viva o Zeca que nos fêz acordar de uma longa noite de trevas.
Viva a voz audaz de um povo, até então, calado e adormecido.
Viva a consciência dessa voz que nos iluminou o futuro.
O futuro?
Que futuro?
O da politica demagógica?
O da falsa democracia?
Viva o futuro que já não se silencia.
Viva o futuro da expressão de todas as cores: rosa, laranja, vermelho, verde, amarelo…
Viva o eco de pensamentos outros,
Do diálogo ou da conversa fiada,
Da trama das ideologias e da teoria da inexistência das ideologias.
Viva o amor e a paz, sempre adiadas,
Mesmo depois do fim da guerra colonial,
Dos homens mutilados,
Dos corações de mulheres despedaçados;
Das almas das crianças órfãs,
Que assim nas ceram à luz da promessa de uma nova idade.
Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!
II
Vinte e cinco anos passados.
Restam-nos as memórias dos horrores da Guerra,
De uma sociedade que, em nome dos cravos vermelhos,
Um dia ousou gritar: Liberdade.
Liberdade:
Essa palavra de ordem que fez cair um Regime eternamente enraizado,
Que arrancou, com todas as armas, a tirania dos pretensos opressores.
Liberdade:
O sinal do dizer aberto,
Há muito ocultado, pelo véu da falsa ordem,
Há muito camuflado, sobre a tríade,
Deus, Pátria e Família;
O sinal do dizer aberto,
Há muito velado, nos meandros da paupérrima cultura de um povo,
Que convinha manter ignorante, analfabeto …
Em nome da ausência do espírito crítico,
Da mente desperta e do pensar astuto.
Vinte e cinco anos passados.
E aqui estamos nós, quiçá em uníssono,
A comemorar,
Com milhares de cravos vermelhos,
O grande acontecimento da Liberdade.
III
Volvidos 25 anos.
Já não somos os mesmos.
Avistamo-nos com um outro rosto;
O rosto da política da integração europeia;
Da integração comunitária,
Da moeda única,
Da adaptação ideológica.
O rosto, quiçá, da desintegração cultural é apátrida.
O rosto, cuja voz, já não sabe cantar o hino nacional.
O rosto, cujos traços e as cores,
Já não são, talvez,
Os da nossa bandeira.
Volvidos vinte e cinco anos.
Já não somos os mesmos.
E o que somos, então?
Um povo errante,
Ainda e sempre no resto da cauda do mundo,
Que outrora conquistámos,
No preciso momento em que o perdemos.
Erguemos o Convento de Mafra,
Com o ouro vindo do Brasil;
Edificámos a Torre de Belém
E o Monumento das Descobertas,
À custa de longas e saudosas lágrimas,
Dos que sempre partiram
E dos que sempre ficaram.
Qual Velho do Restelo se ousa, ainda, erguer?
Qual Adamastor, povoa, ainda, os nossos mares?
Quais ondas alterosas se erguem, ainda, desse imenso mar?
Isabel Rosete
24.4.1999
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Quantos são os mistérios da escrita
Quantos são os mistérios da escrita
No seio da imensidão
Do nosso universo linguístico…
As pausas
Os silêncios…
Sempre as palavras
Que nos comovem
Ou nos fazem explodir…
Sentimos o enigma do mundo
Na sua dis-persão e re-união…
Uma inquietante estranheza inicial
Coloca-nos na face dos mistérios
Insondáveis
Da Natureza
E do Homem…
Ficamos atónitos
O silêncio regressa
Apesar de toda a prosologia…
Iniciamos a próxima viagem
Em todo o nosso peregrinar
Tão genuíno como o canto dos pássaros…
A todo o instante
Fazem escutar
Os seus hinos de celebração da Terra
Que sempre acolhe os nossos passos
Tão pesados quanto a massa do Mundo…
Caminhamos para uma nova era
E nunca sabemos
Para onde correm os rios…
Os rios do “obscuro” de Éfeso
Que nos doou essa maravilhosa metáfora
Da sucessiva transformação
De todas as coisas…
Sempre outras…
Sempre outras…
Sempre as mesmas…
Sempre as mesmas…
Num eterno retorno
Marcado pelos traços
Da esmagadora infinitude…
Isabel Rosete
27/02/2007
25/01/08
Amar é o Desespero de um Coração Carente
Amar…
É o desespero
De um coração carente
À procura da outra metade
Que o complete…
Somos incapazes
De nos completar…
Precisamos sempre de um outro
De qualquer outro
Que procuramos em nós…
Essa terrível e eterna
Dependência do outro
Que não conseguimos
Encontrar em nós …
Que desgraça
A do coração humano
Sempre em falta…
Irremediavelmente só
Despedaçado
Desesperado…
Lamenta
Lamenta-se…
Exclama
Proclama…
Não sabe estar só
Dialogar consigo…
Encontra
No seu âmago
O vazio
Do seu próprio preenchimento…
Amar…
É coisa dos homens
Entes solitários
Incapazes de percepcionar
A solidão como outra forma de amar…
E isso não basta
A estas criaturas errantes?
Não
Não basta…
Nada basta…
Há sempre um mais
Um depois
Que aflora…
Em todos os pensamentos
Translúcidos…
Recônditos
Inconscientes….
Isabel Rosete
09/05/07
15/01/08
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