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quarta-feira, 5 de março de 2008

A Bailarina
(A Sandra Machado)

Eis a viva expressão
De quem agarra a Vida
Por todos os fios possíveis
De um imaginário
Sempre reprodutivo…

Os seus acenos
Suaves
E determinados
Sobem
E descem…

Os seus paços
Leves
E silenciosos
Ascendem
E descendem

Erguem-se
Elevam-se
Multiplicam-se
Em todas as direcções…

Indicam-nos o infinito
Que nos apraz bem

Suspendem-nos a alma
Transportam-nos para outros lugares
Nunca imaginados…

São múltiplos os caminhos
Pela bailarina percorridos…

Entre outros estares
Entre outros rostos
Entre todos os rostos
Que nela se presentificam…

Os caminhos dos gestos
Das palavras
Dos sons
Que a envolvem
Num círculo
Quase perfeito…

Os caminhos das notas
Que a partitura preenchem
Tornam-se audíveis
Em todos as melodias
Pelo seu corpo contornadas…

Há sempre um som
Que a embala
Que a faz vibrar
Estremecer
Ou sonhar…

Por entre as linhas
Nem sempre unidas
Nem sempre definidas
Dos trilhos delgados
Do seu balancear…

O chamamento do som
Assoma
Que grande promessa!

O som puro
E cristalino
Da música

Semi-oculto
Semi-descoberto

Envolve
O corpo
E a alma
Da bailarina
Ainda capaz de o escutar…

A escuta
Naturalmente a escuta…

Qual motor originário do mundo
Que faz mover
Os seus delicados contornos…

Os seus movimentos
Mesmo os mais simples
Manifestam a pureza
De uma alma
A singeleza de um corpo
A nobreza de um carácter
Em momentos
De perpétua comunhão…

Qual corpo?
Qual alma?

Os da Bailarina
Fundidos
Se dão
A outros corpos
A outras almas
Nunca em vão…

A bailarina
Está aí

Dança
Balança
Rodopia
Ao tinir
De todos os acordes…

Faz renascer
Um ser outro
Sempre renovado…

Algures
Camuflado
No seio
Da sua própria interioridade…

Isabel Rosete
(Escrito para Sandra Machado, a bailarina)
1999
17/02/08
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