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domingo, 7 de dezembro de 2008

Pensamentos Dispersos,
Isabel Rosete
(07/02/08)


‑ Não quero mais percorrer os caminhos insondáveis dos Mistérios do Mundo.

‑ Descodificar o Todo não é uma missão impossível. Apenas um desejo que, um dia, se realizará nos limiares do Infinito.

‑ Paradoxos: são a marca perpétua deste Universo em perpétuo devir.

‑ Nem todos os rios desaguam nos mar… Represas travam o seu livre e curso…

‑ A Liberdade ainda não é um estado. Mas, um ideal a conquistar…

‑ Percorremos a marcha eterna num Universo sem princípio nem fim…

- Esmagados, somos, pela plenitude do Universo.

‑ Deixamos de pensar quando a consciência abafa o Pensamento.

‑ Espero pela morte… num momento de glória eterna…

‑ «Ser ou não seu: eis a questão?» Mas, que questão? A do Tudo e do Nada? A do Cheio e do vazio? Uma epigrafe tão repetida… Um mistério por desvendar….

‑ Abomino o sono dos que dormem com a consciência pesada.

‑ É insuportável o Amor do Nada.

‑ Tudo cresce melancolicamente na sombra de um Ser que não desabrocha…

‑ A monotonia congela-me o cérebro…

‑ Amar o poder da criação é um estado de júbilo…

‑ Caminho, a passos largos, para a aniquilação do meu ser, sem Pátria, sem Morada, sem Destino, sem nada…

‑ Lamento não me poder reduzir ao nada pela convicção de que a Vida não vale a pena….

‑ É tudo tão passageiro, sem substância que nos enchas as mãos…

‑ De mãos vazias, sobrevivemos à dor do existir….

‑ Pensar a Morte é pensar a purificação do Ser…

‑ Recuso, adio o sono, para que o meu pensamento viaje e a minha mão registe todos os topos das suas paragens infinitas…

‑ Não quero viver na superfície das águas, mas nas profundezas dos oceanos.

‑ A minha megalomania Universal rejeita todos os limites.

‑ O meu querer precisa de ter asas para voar. Só, assim, me é permitido sobreviver.

‑ A transparência da minha alma conduz-me a todos os lugares desconhecidos, a todos os espaços não visitados, ao infinito do infinito da minha própria existência, tão efémera e tão circunscrita…

‑ A proximidade da Morte torna-se-me clara…, porque a desejo.

‑ Sobreviver à vivência do Nada é um estado vegetativo. Aqui, a depressão ocorre, na sua esmagadora infinitude…

‑ Somos tão ilusoriamente obcecados pela “normalidade” como se, de facto, a “normalidade” existisse… O que é a “normalidade”? Respondam-me, se sois capazes….
Escuto. Paro. Vejo. Concentro-me na “normalidade” dos Homens… Não passamos, assim o constato, de complexos físico-químicos, de um conjunto de átomos e de moléculas, organizados de uma determinada forma. Aí está, a nossa “normalidade”. E o resto? O resto… são meras variações de uma fórmula comum. É simples, não é?
“Atroz”: é o adjectivo que devemos utilizar para quem é incapaz de percepcionar a diferença, dentro da “normalidade.

‑ Não quero que prantem a minha morte. Odeio essas lágrimas mordidas que nada significam. Esses meros pedaços de nada das mentes que sempre me ultrajaram e nunca me acudiram.
Glorifiquem, venerem, os Pensamentos que tive e nunca escrevi. Passados quarenta e dois anos, desta minha existência conturbada, é o que vos peço.
Quantos erros não cometi? Quantos, ainda, não irei cometer?
Sou a réplica perfeita de um alma que chora, por não ser compreendida. Não tenho a paz perpétua. Não deixei outros opúsculos. Apenas, alguns pensamentos dispersos. A quem os ler, resta encontrar a lógica, o sentido de tantos retalhos que, nem sempre, fui capaz de unir…
O timbre do tédio regista-se na minha mente, onde já não cabe mais um ínfimo resquício de esperança.
Como me revejo em Sócrates e nessa ideia da Morte como um Bem, Supremo….
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