sábado, 27 de setembro de 2008

Primavera (s)

Cruzam-se os olhares,
Na paz perpétua
De um saudoso beijo.

Não há mais revolta.
Paira a serenidade,
A tranquilidade intranquila
De todos os desejos.

Tudo se move,
No seu ritmo certo,
Absolutamente certo.

O desfiladeiro,
Não apavora mais
Os olhares inquietos.

O mar,
Enrola-se na areia,
Ao som do canto das sereias.

Na paz dos Anjos,
Se acalentam as tempestades,
Fatigadas,
Do seu peregrinar.

Os segredos
Da vida e da morte,
Já não se ocultam mais.

Os corações despertos,
Estão aí,
Preparados para todos os re-começos.

Eleva-se,
A singela nudez
Dos corpos em comunhão,

A pura leveza
Dos olhares,
Que já não são pálidos,

O riso das crianças,
De olhos claros,
Que a alegria espalham
Por todos os lugares.

A Paz
Torna-se visível,
Perceptível,
Até para os vistos míopes.

O Amor permanece,
No seu devido lugar,
Mesmo que incerto.

A Felicidade regressa,
A todas as almas,
Outrora despedaçadas.

Cantamos,
Sem dor,
Todas as dores.
E o sofrimento torna-se leve.


Isabel Rosete
12/03/08

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O mar…

Espelho dos horizontes,
Ao longe avistados,
Pelos espíritos inquietos.

O hipnótico canto das sereias,
As almas extasiadas
Pelo sopro dos sons ébrios.

A transparência das gotas espargidas
Pelos corpos nus,
Leves e puros.

Os corações perdidos
No fogo do amor,
Sempre renascido.

O devir das águas,
As areias esparsas
Das paixões enfraquecidas.

Isabel Rosete
14/07/08
Pensar o mar em marés de desassombro
Ao som do canto das gaivotas que passam
Anunciando tempestades violentas.

Os amantes suspiram,
Por entre os ventos do Norte.
No mar derramam o seu choro
De sal e alento.

Não há choro que o mar não acolha
Quando os corpos ardentes
Se lançam nas águas resplandecentes.

Isabel Rosete
14/07/08
Caminhamos
Pelas areias desertas,
Mas não sabemos onde está o Mundo.

Transpiramos
Por todos os poros,
E não expulsamos as aflições da Vida.

Removemos
Um passado penoso,
Que sempre nos consome o espírito.

Esperamos
A felicidade,
Numa marcha penosa e lenta.

Sonhamos
Com um futuro radioso,
Sem as manchas do infortúnio.

Repelimos
Os gritos desesperados
Dos Povos enclausurados,
E a liberdade não conquistamos.

Lutamos
Em des-união
Pela paz perpétua,
Mas a guerra não aniquilamos.

Isabel Rosete
12/03/08
Advém o turbilhão dos sentidos,
Dos desejos e dos quereres,
Dos seres e dos estares,
Inquietantes,
Alarmantes,
Libinidalmente difundidos.

Uma ansiedade,
Desmedida,
Percorre a minha alma.
Um desassossego,
Insuportável,
Remove-me as vísceras.

O alvoroço,
Perpetua-se.
A impulsividade,
Eterniza-se.
O sobressalto,
Aniquila-me.

Des-constroem-se,
Todos os pedaços de mim.
Sobrevivem, apenas, fragmentos,
Parcelas,
Indistintas,
Em pleno estado de com-bustão.

Subsistem,
Peças soltas,
Espalhadas,
Em des-ordem,
Em com-fusão,
Em dis-persão…

Isabel Rosete
25/01/08
A solidão
Percorre as almas desertas,

Esgota a esperança
De outro renascer.

Anuncia a morte
De um ser renovado,

Corrói as entranhas da Vida,
Até ao limiar de Morte.

Desperta o vazio da Existência,
Em torno da sua efemeridade,

Consolida a massa compacta
Dos espíritos amortecidos.

Dissipa a luz
De um novo horizonte,

Definha cada ser
No seu pedaço de nada.

Isabel Rosete
03/03/08
Uma saudade do infinito
Aflora dentro de mim,
Como se o Mundo acabasse
Num só dia…

O derradeiro dia
De todos os dias
Do resto da minha vida.

Perpetuar a Vida…,
A ilusão de todo o ser humano,
Eternamente atormentado
Pelos enredos da Morte,

Porque não é Deus,
Nem os Deuses,
Nem o Destino…

Isabel Rosete
06/07/07
Uma paixão ardente me consome,
Mina todo o meu ser,
No mais recôndito de si.

Trespassa a minha alma,
Com agudos espinhos.

Uma fina dor eleva-se,
Mexe e remexe
As minhas entranhas.

Estremeço…,
Quando ouço a tua voz,
Meu amor.

Todo o meu corpo vibra,
Na proximidade da tua presença.

Sinto-me em mim.

És um sopro de vida,
Alimentas todo o meu ser,
Sugas todas as minhas energias.

Fico débil.

Permaneço na loucura
De uma hipersensibilidade indescritível,
Incontrolável,

Desesperadamente avassaladora,
Desconcertante,
Desordenada…

E, aqui estou, irremediavelmente só…

Isabel Rosete
25/01/08
Uma histeria colectiva
Arrasta as multidões
Para um mesmo lugar,
Sem destino determinado.

Do Mundo,
A Identidade,
Evadiu-se.

O estereótipo,
Instalou-se,
E a monotonia,
Permanece.

A ilusão do Mesmo,
Quedou-se.
Abafou-se
A diversidade.

Isabel Rosete
05/03/08
Tudo morre,
Tudo nasce,
Tudo se transforma.

Nada permanece…!
Nada permanece…!

A perpétua mudança
Impera,
Num equilíbrio inextinguível.

O Ser está aí,
Estável,
Em cada alvorecer,
Em cada des-floração.

Oculta-se,
Em todas as coisas,

Des-vela-se,
Em todos os entes,

Aparece
E desaparece,
Num círculo redondo.

Isabel Rosete
06/08/07