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segunda-feira, 14 de maio de 2012


"SONAMBULISMO", por IR

canto das aves brancas acorda-me
Do sonambulismo persistente,
Do cansaço do simplesmente existir,
Do cansaço do pensar nesta dor da minha existência
- nem sempre colorida, nem sempre a preto ou a branco -
Logo à primeira luz da manhã,
Qual despertador sem ponteiros impostos
Que a Natureza me doa todos os dias
‑ tão generosa, tão doce, tão terna… ‑
Para que o milagre do Ser aconteça e não se esqueça,
Para que as maravilhas da Criação
Sejam erguidas e celebradas em plena harmonia
Com todos os estados de Graça,
Grandiosos em cada fruto,
Em cada flor… espalhados pelos campos;
Em cada animal, que corre pelo vasto pastoreio
Durante mais um dia de luta pela sobrevivência;
Em cada Homem que lança as suas garras,
As suas redes para capturar as suas presas,
Indefesas, na ambição de tudo possuir e dominar.

Assim habitam a Natureza, estas criaturas
De celebração e de repressão.
Com ela repartem e recolhem as dádivas
Mais singelas em plena Eucaristia
Ou des-continuidade e des-comunhão.

Não há contrários que não se unam.
Não há contrários que não se mantenham
                          [como contrários ancorados.
E o desterro só chega quando a mão humana
Mexe e re-mexe as entranhas do mundo natural,
Revolvendo o estar e o devir de todos os seus elementos.

Não acoberto esta moléstia do coração dos Homens
Jamais movidos, nos seus intentos e actos,
Pela salvaguarda da Terra, sua mãe de corpo, sangue e Alma.

IR, Jardim Oudinot, Ílhavo, 17/08/2010
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