quinta-feira, 1 de dezembro de 2011


Blogue no meu novo livro: "ENTRE-CORPOS":
http://isabelroseteentrecorpos.blogspot.com/

Aguardo a vossa visita e os vossos comentários!

Informo que este livro se encontra disponível nas lojas online das livrariras Bertrande e Wook.

Saudações poéticas,
IR


Permaneço no silêncio fechado do Mar remoto,
Por onde se ergue a minha voz calada:

- Porque as Palavras já se esgotaram;

- Porque as Lágrimas já foram todas derramadas;

- Porque o Choro me trava a garganta;

- Porque a Vida já não me sorri;

- Porque a Morte já não me espera;

- Porque o efémero permanece

e o Eterno já não alcanço;

- Porque a Dor já não me deixa;

- Porque a Felicidade já não regressa;

- Porque o Destino já não me comanda;

- Porque o Espanto me fecha em mim;

- Porque as Águas já não me molham os pés

nem me consolam a alma;

- Porque o Sol já não brilha na sua mais pura claridade;

- Porque as Flores já não são coloridas;

- Porque Ares airosos já não flutuam em mim;

- Porque o Fogo já não me aquece;

- Porque a Tormenta me congela o cérebro;

- Porque o Mundo já não é mais redondo;

- Porque as Andorinhas já não voltam com a Primavera;

- Porque o Sonho já não se ergue

e as folhas, no Outono, teimam em cair secas e desfeitas;

- Porque o Silêncio já não desce do alto e Deus;

- Porque o Silêncio é imposto à minha voz calada

no suor e no sopro da Eternidade,

que clama o Infinito na purificação

da Unidade do Cosmos universal,

Que já não Ouço,

que já não Vejo,

que já não Sinto;

- Porque aqui estou no silêncio recolhido que me cobre

e já não me deixa boiar por entre as pedras roxas,

onde os Sons já não se propagam,

onde a Luz já não se acende,

onde a Carne já não vibra!

Isabel Rosete, Ílhavo, 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


Escuto o martelar da água salgada nas rochas

Que habitam as praias solitárias,

Essas por onde passam, de sobrevôo,

As gaivotas e, por vezes,

Os homens em busca da quietude

Outrora perdida num manto de Rosas vermelhas,

Onde se entoam e ecoam todas as Paixões.

Os amantes, já exaustos, deambulam pelas areias

Movediças, autênticos palcos de muitos mundos,

Esses que imaginamos, mas ainda não vivemos

Onde arquitetam ou aniquilam as suas próprias moradas.


Uma linguagem incompreensível vocifera das suas bocas

Quentes, abrasadas, suadas pelos beijos trocados

Com o sabor amargo e doce da Vida não habitada

Em terreno firme e terno.


Ah, a Vida, o trampolim, a barra olímpica

Por onde caminhamos em perplexos des-equilíbrios

No correr solto dos ventos saltitantes

Que bolem as nossas pernas trôpegas,

Como se mal tivéssemos começado a andar!

Isabel Rosete
No silêncio da Morte,

Enquanto Deus dorme,

Movo-me, leve, tão... serena...

Pelos espaços astrais que me engrandecem

E comovem na tranquilidade da minha Alma.

A paz dos Anjos esses entes alados em vigília

Constante permanente, acompanha-me

Com a ternura e a serenidade dos Espíritos puros.

O meu Corpo, então, sossega e adormece

Na tranquilidade da Eternidade.

Isabel Rosete
(Inédito)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Escrevo sempre que o meu pensamento

Se volta para o interior de si próprio,

Sempre que nele se espelha o Mundo,

Sempre que nele se relfecte a Natureza,

A Humanidade, nos seus confins e afins,

Em trajectórias imensas que percorrem

Todos os ciclos do Universo.

Absorvo o Tudo, o Nada e o Vazio, o Acaso,

O Ocaso... Que se dá sublimadamente,

O Destino, que se mostra e esconde,

Num mesmo instante existencial irrepetível.


Nada pode ser ocultado.

Não há omissões possíveis

Neste espaço de transparência absoluta

Onde reina a Verdade

E não mais a verosimilhança.


Todos os detalhes, mais ou menos recônditos,

São naturalmente cruciais,

Até mesmo os aparentemente mais fúteis,

Porque o Todo que sempre move a ambição

Desmedida do Pensamento só é visível

Por entre as suas ínfimas e ilimitadas partes;

Porque a Alma dos Tempos,

Passados e Vindouros,

Só re-luz quando imersa no seu cheio redondo.

IR, Ílhavo, 19/03/2009

domingo, 23 de outubro de 2011


Li a tua carta de ontem

Ao rair da madrugada luminosa.

Não inalei o teu cheiro,

Não ouvi a tua voz,

Não saboreei o teu paladar.

Por isso, não te senti.

Estavas longe, muito longe...

Demasiado longe... Tão longe...

Para chegares até mim!



As tuas mãos já não me tocam,

Os teus olhos já não me enxergam,

A tua alma já não me anima

E o teu corpo já não penetra o meu.



Permanecemos na distância próxima

Da nostalgia que, ainda, nos abala,

Na memória repleta de recordações

De nós, outrora, fundidos numa mesma

Matéria e num mesmo Espírito.



Isabel Rosete, Ílhavo, 19/06/2010

Os pratos da balança já não se equilibram mais!

Já não sabemos onde mora a Justiça!

A medida certa acabou!

Esgotou-se nas hipérboles

Dos inglórios feitos humanos.



A incerteza, a dúvida, o paradoxo

São o paradeiro do nosso caminhar incerto

Em terreno irremediavelmente movediço,

Ao mesmo tempo que estanque

E repleto de obstáculos inultrapassáveis.



Sempre nos prendem as pernas

Quando os nossos passos são longos!

Sempre nos prendem os passos

Quando as nossas pernas caminham

Em direcção aos lugares nunca antes cogitados!



Ah, que ilusão, a dos Homens,

Sempre que lançam na Terra e nos Mares

As malhas apertadas das suas próprias redes

Como (supostos) senhores, dominadores do Universo

Físico e humano, onde residem e escassamente habitam!



O Mundo está aí e permanece imutável,

Na sua essência, apesar de todas as investidas

Desta Humanidade minoritária que luta

Pelas suas mais nobres causas, sempre solitária;

Que acompanha, em desacordo, o furor das multidões

Em revolta, contra o imposto pelas leis da Natureza,

Que não mais salvaguarda ou protege.



Ai, esta Humanidade que, um dia,

Alimentou a vã ilusão do Tudo manipular,

De ser a gestora de um Universo que,

Amiúde, gosta de se esconder

Na sua mutabilidade camaliónica!

Isabel Rosete
Amo o Desejo com o corpo todo.

Amo o Desejo com a alma inteira.

Amo-te de corpo e alma com o Desejo pleno.

Queres maior prova do meu Amor?

Assim me habito e te habito nesta morada

Viva de um Amor eterno, num obscuro domínio.


IR, Ílhavo, 09/02/2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

EDITORIAL MINERVA - blogue: Sugestões de Leitura para os meses de Outubro e No...

EDITORIAL MINERVA - blogue: Sugestões de Leitura para os meses de Outubro e No...: Produções K X Y (Vídeo de Célia Cadete - Captação digital). Visione no fim deste blogue todos os vídeos bi-mensais das sugestões de leitu...