sexta-feira, 4 de maio de 2012


Sem Esperança


Das Fontes já não jorra mais a água cristalina;
Dos Mares já não ecoa mais o canto das sereias;
Das Estrelas já não renasce mais o brilho duradoiro;
Da Terra já não desponta mais o viso da Salvação;
Da Humanidade já não eclode mais o grito do perdão.

Isabel Rosete

segunda-feira, 19 de março de 2012

 
É com muito carinho e consideração que conto com a vossa presença neste evento de celebração da Poesia e da Música:
«Convidamos V. Exª, família e amigos, para o lançamento do livro ENTRE-CORPOS, de Isabel Rosete, dia 24 de Março de 2012, Sábado, às 21.30 horas, na Livraria Fnac, Centro Comercial NorteShopping, Matosinhos.
Acompanhamento musical por Victor Almeida e Silva, evocando Zeca Afonso.»

Saudações poético-musicais,
Isabel Rosete




Nascimento do semi-heterónimo de Isabel Rosete, "IR" - madrugada de 19 de Março de 2012 – e breve biografia de Maria Isabel Rosete (nome de baptismo)

A propósito da re-leitura de algumas passagens do “Livro do Desassossego”, do semi-heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares, e da revisão do meu próximo livro, “Fluxos da Memória” (a publicar em breve), descobri quem é "Isabel Rosete" e quem é "IR", no que se refere à escrita em poesia ou prosa poética, quem assina com um ou com outro nome, mesmo sendo “IR”, enquanto assinatura, uma abreviatura de “Isabel Rosete”.
Eu, Maria Isabel Rosete, sou uma mulher portuguesa, entre muitas outras, nascida a 5 de Abril de 1965, em Aveiro, fruto das segundas núpcias de Manuel António Rosete (1893-1980) e das primeiras de Maria Candida Rosete (1925-2003). Licenciei-me em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para me tornar Professora, Ensinante e eterna Aprendiz, por vocação, que remonta á minha tenra infância. Enveredei, academicamente, pela investigação na área da Estética e da Filosofia da Arte, desde 1991, na qual me mantenho firme até hoje.
Da paixão pela Filosofia, cada vez mais intensa e revigorante, do estudo dos filósofos, dos poetas, dos literatos, dos pintores e dos mentores da Psicologia clínica e educacional, surge essa outra paixão, arrebatamento total em crescendo, em 2007-2008, que se tem tornado completamente vital: a escrita em poesia, a minha poesia, inspirada nos ensinamentos que colhi e vou colhendo em todos os meus nobres Mestres do Pensamento, da Escrita e da Vida.
Sei que não seria capaz de escrever assim sem as influências da Filosofia Antiga, de Descartes, de Kant, de Nietzsche e de Heidegger, sobretudo; sem Rainer Maria Rilke, Holderlin, Jorge Luís Borges, Jorge de Sena, Fernando Pessoa ortónimo e heterônimo - destacando, entre eles, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos (“Sou tão Álvaro de Campos!”, como costumo dizer frequentemente), Eugénio de Andrade, Teixeira de Pascoaes e Vergílio Ferreira; sem Van Gogh, o pintor e o escritor de cartas, Salvador Dalí ou Magritte; sem Freud e Piaget, entre tantos outros. É facto consumado que venho da Filosofia para a Poesia e que, sem aquela, jamais chegaria a esta. Como afirmam alguns dos meus leitores, faço “Filosofia através da Poesia”.
EU, Maria Isabel Rosete, cedo me tornei apenas Isabel Rosete, porque não me identifico com o nome “Maria”. “Isabel” foi o nome dado por minha mãe em homenagem à Rainha (Santa) Isabel, esposa de D. Dinis, em virtude do milagre do pão transformado em rosas, símbolo da generosidade e da humanidade da Rainha. Rainha não sou; generosa, por vezes; humana, sempre que me é possível.
“Rosete” é a minha grande referência, uma vez que no ser “Rosete” se resumem os traços da minha Identidade com a “chancela” do signo “Carneiro”. A minha personalidade, tão forte quanto sensível, integra quase todos os defeitos e qualidades indicadas por este signo. “Isabel Rosete” é, por estas razões, a minha assinatura de “marca”. “IR”, a minha rubrica.
E como nasce “IR” na qualidade de semi-heterónimo de “Isabel Rosete”, a pessoa e a poeta?
Eu, Isabel Rosete, assino como "Isabel Rosete", sempre que escrevo na primeira pessoa do plural, "Nós", isto é: Eu e todos os outros seres humanos que partilham e não partilham do meu pensamento e da minha voz erguida no seio das reflexões filosóficas, psicológicas, sócio-políticas, éticas, estéticas e humanitárias; Eu como cidadã do Mundo, de todos os Mundos reais e possíveis; Eu um ser crítico e até mordaz, que se revolta visceralmente com os indignos feitos dos Homens, pautados pela hipocrisia, pela inveja, pela intolerância, pelo preconceito, pela violência sanguinária, pelos desequilíbrios ecológicos, pelas guerras feitas em nome da Paz adiada.
EU, Isabel Rosete, assino como "IR", quando escrevo na primeira pessoa do singular,"Eu", isto é: Eu e apenas Eu no meu mundo interior; Eu e apenas Eu na minha intimidade mais profunda, que desce até às entranhas do meu sentir; Eu e apenas Eu nos versos que se soltam do meu pensamento sobre mim mesma – em modo de auto-crítica, em virtude da busca constante da perfeição do meu ser e do meu estar - e sobre todos aqueles que passaram e passam na minha vida, deixando na minha alma e no meu corpo as suas marcas mais gloriosas ou mais tremendas. Eu e apenas Eu na minha Identidade assumida, longe das máscaras e da dissimulação, que abomino.
O que há de comum na poesia, em particular, e na escrita, em geral, em “Isabel Rosete” e “IR”?
Ambas escrevem para dar voz alta à sua alma e ao seu corpo, envoltos nas labinrínticas teias do Pensar e do Sentir, em nome da transparência de cada palavra, da lucidez minuciosa de cada sílaba, da singela pureza de cada vogal, da sinceridade de cada consoante. Ambas escrevem em nome do Verbo que liberta e purifica, que diz as coisas-mesmas no acto original e originário do seu ser.

Isabel Rosete
19 de Março de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012


São tantas as recordações das nossas fantasias
Deixadas em cada pétala que ainda não murchou,
Em cada folha ainda não enrugada pelo orvalho
Matinal a que sempre resiste!

Regressa a cor própria da Alegria esfuziante
E aquela necessidade imperiosa de cantar,
Que sempre afasta os abutres disfarçados
Sedentos do nosso sangue.

Dançamos, dançamos, dançamos...
Nas dunas junto àquela praia que sempre
Escondeu os nossos corpos nus
Banhados pelo suor sedoso que os nutre.

IR, Ílhavo, 15/02/2011
Auto-Retrato

“Voltei a mim. Falei.”

Escrevo até à exaustão do sentir
Em cada noite que permaneço
Em estado de alerta.
Acompanham-me as Estrelas,
A Lua, a chuva, os ventos do Norte
- sempre sopram,
com toda a sua intensidade devoradora,
nas margens deste meu litoral -
Trazem-me a Paz
E a minha lucidez engrandecem.

As palavras sempre fluem...
Soltas ou conjugadas.

O sono teima em não chegar
Face a essa ânsia incontrolável
Do Pensamento que quer ser dito,
Dessa Voz que se quer erguer
No silêncio das folhas ainda soltas.

Tudo é fonte de inspiração!
Tudo impele ao mais simples
E implexo dos modos do Dizer!

Todo o pensado deve ser dito!
Tem que ser dito!

O pensamento comanda a mão
Que, velozmente, escreve.
Um pensamento redondo!
Jamais se quer conter
No seio dos limites esferoidais
Da circunferência que o envolve
E move, e move...

As ideias rodopiam.
Tornam-se visíveis.
Mostram-se ao Mundo...

O meu pensamento
Não quer calar mais a sua voz!
Grita, expande-se, exterioriza-se...
Com outros pensamentos
Pretende entrecruzar-se e recolher
A mais nobre seiva que alimenta
As outras mentes, monadologicamente conjugadas,
Com portas e janelas, viradas para o Aberto
Do esplendor das Ideias.

IR, Ílhavo, s. d.










Duvido que seja eu quem escreva
Neste vale de lágrimas impetuoso,
Moribundo, de penas leves
Ou pesadas, carregadas num espaço
Nem sempre aberto aos deuses,
Aos Homens, ao Destino.

Escrevo. Sempre escrevo
Agarrando a Vida por um só fio
Tão subtil, tão leve, tão frágil,
Como as asas dos pássaros migratórios.

O sussurro do Mundo envolve-me
Em cada acto de escrita;
Embala-me, afaga-me
Num lento e doce caminhar,
Por onde os passos das palavras
Me conduzem, à beira rio.

O mistério da escrita espreita-me
Em cada página ainda não preenchida.
Sinto o ligeiro sopro da brisa
Que o lápis sempre me traz às narinas.
Abandono todos os grilhões,
Todos os freios, todas as limitações,
E escrevo na liberdade do meu canto.

A minha alma eleva-se, purificada.
Confunde-se com as nuvens
De um céu claro
Transbordante de serenidade.
Entra, por um momento,
Em harmonia consigo mesma
E com o Mundo.
A Felicidade regressa como se
Nunca se tivesse afastado de mim.

IR, Ílhavo, 06/06/2011
Entre-vidas

A Mário de Sá Carneiro

Quasi vegetativo, o moribundo
Adormece no seu leito de morte
Desamparado pelos que já não o sentem.
A chegada da morte aproxima-se.
E a morte é coisa para se viver só.

IR, Ílhavo, 17/07/2011

A Rainer Maria Rilke

Começo

Pousada no virgem canto dos pássaros,
Permaneço escrevendo, em todas as grafias,
Nas alturas das íngremes montanhas
(Nem sempre agrestes)
Da minha infância abandonada,
Pensando com a minha alma de criança
Nesse passado tão presente,
Parte responsável pelo que hoje sou.

São, agora, os pássaros da minha varanda
- Que me falam e me recordam das travessuras
De infante, no impulso da minha alegria interior -
Outrora visitantes do pátio da casa da minha mãe.
Sempre vão; sempre voltam
No seu eterno peregrinar sazonal.
A minha alma esvoaça na liberdade
Das suas asas extensas em pleno vôo.
Torna-se completa no seu corpo
Frágil e inseguro.
Canta o seu canto,
Consciente da efemeridade que a persegue;
Sorri nos risos que já não riem,
(mesmo que a solidão e a tristeza se imponham)
Consciente da sua pequenez
Face aos grandiosos mistérios do Mundo
Que não vê, mas escuta no pulsar primordial
De todo o acto de Criação que a eterniza.

Ah, tudo o que acontece, neste passado
Ou neste presente, é sempre um princípio,
Um começo!
E o princípio não terá em si o seu próprio princípio
No retorno, eterno ou não, do mesmo e do outro?

“Há tanta beleza em tudo o que começa!”


IR, Ílhavo, 4/01/2012





quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Esperas por mim?
Onde?

Na mais longínqua clareira

De uma floresta não iluminada?


Não!

Definitivamente, NÃO!

NÃO te quero mais!

NÃO te acompanho mais!

...

Enquanto não botar a Luz

Que aclare os meus caminhos

Tão íngremes

Como os rochedos do Cáucaso,

Onde a Morte e a ressurreição

Me esperam…ao lado de Prometeu.

IR

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Para Martin Heidegger


Expressões silentes,

Sobranceiras,

Marcadas por um misto

De espanto

E de inquietação;

Olhos que fitam o infinito

Diante da imensidão

Dos caminhos do campo

Ainda longe das mãos

Destruidoras

Dos Homens sem Razão;

Expressões carregadas

De solidão

Face à desertificação da Terra

Que sempre lança

O seu (des)esperado grito de alerta;

Pés que pisam o chão campónio

Como uma bênção,

Enquanto a serena musicalidade atmosférica

Invade um espírito expectante

Que o Ser sempre escuta.


Ai estás, oh Filósofo!

IR
(Inédito)