sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Despimo-nos do tédio,
Enfrentamos as multidões dispersas,
Invisíveis aos olhos maledicentes
Das bocas preservas.
Agoiros pornunciam
Em nome do desespero egoísta
Que lhes corrói as entranhas.

IR

Há um Espírito errante que nos percorre,
Cobre as nossas faces desprotegidas,
Invade a nossa morada,
Nunca a salvo de qualquer perigo.
IR

Por entre a seiva da Vida
Corre o esgoto
Das mentes pálidas,
A podridão do horror,
O enfado do tédio
A escuridão, cega e surda,
Das franjas deixadas ela Inveja.

IR

Talvez viva um mundo que não existe,
Talvez viva um mundo que é só meu
Numa solidão imensa que me atrofia,
Por dentro, no mais íntimo de mim.

IR, 13/12/2010

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mãos macias são as tuas, meu Amor,
Deslizando pelos contornos do meu
Corpo débil, frágil, encolhido…
No majestoso calor que elas emanam em mim.

Sobem e descem, as tuas mãos, meu Amor,
Dentro e fora de mim,
Em movimentos ora singelos e leves,
Ora intensos e extasiantes.

Arrepiam-me até aos confins
De todos os meus poros,
Até ao mais íntimo da minha alma
Acalentada pelo teu cheiro, ímpar,
Que em mim penetra e fica
Como um fóssil
Por todo o meu corpo estendido.

Emaranho-me nas tuas mãos, meu Amor,
Como num lençol de cetim vermelho,
Fresco, escorregadio… raiando de sensualidade
Por onde os nossos corpos deslizam,
Suados e consolados, pelo prazer do Amor.

Assim te quero, assim te desejo, meu Amor,
Por entre as tuas mãos que o meu corpo conhecem
Nos mais finos detalhes, até nos mais encobertos.
Nunca deixarei de te amar, meu Amor,
Mesmo que as tuas mãos pereçam
E nunca mais me toquem.

IR





Não sei amar sem sofrer,
Sem ausentar a dor
Num sereno campo de girassóis.

Não sei amar na quietude
Das noites de Lua cheia,
Na incandescência do fim da tarde,
Ao Pôr-do-Sol.

Não sei amar na suavidade das dunas
Das praias desertas,
Que as gaivotas sobrevoam,
Anunciando tempestades.

Não sei amar na paz, imutável,
De um encontro de amantes,
Saciáveis e discretos.

IR





terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pensamentos dispersos, por Isabel Rosete
24/01/08

Pensar um mundo que não é meu? Para quê? Interrogações existenciais corem, em cadeia, por este meu espírito em constante devir. Não sossega perante nada, nem ninguém, nem mesmo quando os olhos se fecham e procuram dormir. Sempre observador, nada lhe escapa. Tudo o move ao permanente estado de questionação, de dúvida por vezes céptica, por vezes metódica , de crítica, de meditação.

Nunca se acomoda, este meu pensamento. Vive em rebeldia perene. Nunca está satisfeito, nunca entra em estado de serenidade, mesmo que a paz nele assome, durante escassos instantes. Não pára! Não pára! Não se acomoda! Não se acomoda!

Vê sempre um “porquê” na transparência das coisas, desde as mais simples e singelas, até às mais complexas, conflituosas ou dilemáticas.

Os mares tingem-se de Vermelho.

Não têm mais o Verde da Esperança,

Nem o Azul dos horizontes Infinitos

E livres.

Sobre os Homens praguejam!

Aos Homens imploram o regresso

Do Sal imaculado que a Vida e a Morte

Conserva e purifica.

Isabel Rosete

Topologias da Verdade e da Poesia em Miguel Reale

Por: Isabel Rosete

Por entre as mais lúcidas esferas do Pensamento, nasce Miguel Reale, o Poeta, cuja voz ergue a Verdade, a Luz Interior, o Amor, a Noite, o Tempo e a Memória. Também o Mistério, a Inspiração, a Miragem e a Vida Oculta, em muitas outras faces: as do Pluralismo, da Liberdade, das expressões múltiplas da Cultura, da Revolução e de uma certa Democracia em devir perpétuo ético e estético; as do conflito das ideologias e as do Homem como auto-consciência, na mais plena significação da sua Ek-sistência.

Na poesia de Miguel Reale prevalece o elemento afectivo, culminando a experiência estética, que lhe é peculiar, na Imagem Absoluta. O racional também se presentifica, mas apenas num cenário de imagens diversas, plantadas na perplexidade do primordial, circunscritas numa sombra enigmática onde se des-vela a ascendência do imagético, a qual o aparta dessa compreensão redutora da Poesia concebida enquanto mera forma extrínseca da linguagem, com total suprimento do seu valor mimético e expressivo.

Porque sabe, como poucos, sonhar com as palavras, fazê-las sonhar e pensar, o poeta embrenha-se na selva dos sentidos/à procura de um espelho/que (lhe) ofertasse paz e poesia/em ninho de tempo oculto. Poesia é verdade e é miragem/surgindo como forma de beleza/alheia à conjetura ou à certeza.

Pensamentos Dispersos

16/01/08,
Isabel Rosete


Escrevo até à exaustão do sentir, em cada noite que permaneço em estado de alerta. Acompanham-me as estrelas, a Lua, a chuva, as tempestades, o silêncio, que a paz me traz e a minha lucidez engrandece. As palavras sempre fluem soltas, dispersas ou conjugadas.

O sono teima em não chegar perante essa ânsia incontrolável do pensamento que quer ser dito, da voz que se quer erguer no silêncio dos orbes celestes.

Tudo é fonte de inspiração. Tudo impele ao mais simples e ao mais complexo Dizer. Todo o pensado deve ser dito. Tem que ser dito.

O pensamento comanda a mão que, tremulamente, escreve. Um pensamento redondo que jamais se quer conter no seio dos limites esferoidais da circunferência que o envolve. As ideias rodopiam. Tornam-se visíveis. Mostram-se ao Mundo.

O meu pensamento não quer calar mais a sua voz. Grita, expande-se, exterioriza-se. Com outros pensamentos se pretende entre-cruzar; recolher a mais nobre seiva de outras mentes, monadologicamanente conjugadas, com portas e janelas viradas para o Aberto do esplendor da Criação.

O Pensamento é a mais preciosa lente de observação do Mundo. Em si mesmo, todos os pormenores pode acolher. Dentro de si, todas as essências pode recolher

Sem limites, navega o meu pensamento. Sempre na ânsia de percorrer todos os mundos possíveis, determinado por um sentido universal e universalizante. Quer abarcar o Todo, sem deixar nada de fora.

Aos insondáveis mistérios se dirige com uma curiosidade infinita. Os segredos do Universo quer desvendar, não para o manipular, mas para o salvaguardar da originariedade que ainda lhe resta.

Tudo dentro de mim. Nada fora de mim. Eis o lema que, sempre, me persegue. É magalómano? Sem dúvida!

Não se desfaz no quebrar das ondas, nem na alternância das marés. Permanece, aí, convicto da sua missão: observar e dizer o Mundo, ritmicamente, sem má fé, sem pré-conceitos. Com racionalidade, sensatez e originalidade.